HomeLuz da SerraSÓ APRENDI A REZAR QUANDO ME TORNEI MÃE

SÓ APRENDI A REZAR QUANDO ME TORNEI MÃE

Sempre fui uma moça muito bonita, para falar a verdade, mesmo desde muito pequena já me destacava por minha beleza física. De cabelos levemente ruivos, olhos esverdeados e sorriso fácil, chamava atenção por onde eu passava. A beleza que meu corpo possuía me fez muito bem em toda minha infância e adolescência e tudo corria em harmonia na minha vida.

Nascida em berço de ouro, nunca tive que me preocupar com questões normais da maioria das pessoas como ter que trabalhar para se sustentar, bem como jamais encontrei qualquer limitação para fazer o que eu quisesse, pois a abundância de recursos era muito grande.

Meus pais sempre foram muito amorosos, entretanto rígidos. Mamãe engravidou de mim já próxima aos quarenta anos, portanto, quando completei doze anos de idades meus pais já tinham certa idade, em especial os meu pai, que era bem mais velho do que a minha mãe.

Já na fase adulta, momentos de glamour e fascínio habitaram a minha consciência. O padrão elevado de beleza que eu apresentava me intoxicou e assim me tornei cada dia mais vaidosa.

Meus pais percebiam a minha mudança, mas não me cobravam nada, apenas que eu estudasse e que mantivesse o estilo de conduta social rígida ao qual eles haviam me ensinado. Mas isso era impossível, eu viva no Rio de Janeiro em um período muito movimentado por festas, bailes de gala e muitos eventos nos quais eu era convidada. Por ser filha de um diplomata aposentado, sempre estive convivendo com a nata da sociedade carioca, sempre participando de eventos de luxo, onde o que importava mesmo era o status social e a beleza física. Era nesse ambiente que eu triunfava absoluta, pois além de ser de família importante, me destacava cada vez mais por minha beleza física.

Eu não tinha qualquer estímulo de nenhuma outra natureza senão o de apenas me tornar sempre mais bela. Eu estudava assim como os meus pais me pediam, mas apenas por obrigação, não tinha qualquer interesse por nada que eu aprendia. Também não tinha nenhuma outra ambição, apenas queria viver para me sentir cada vez mais linda e mais admirada.


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Numa noite de sábado, encontrei em um dos bailes, uma homem que me encantou, mais precisamente posso dizer que ele me enfeitiçou. Depois daquele dia, eu fiquei completamente envolvida pela paixão que sentia. Não conseguia mais dormir direito, não conseguia estudar, nem mesmo me alimentava corretamente. Ele era um oficial da Marinha, 16 anos mais velho do que eu, e o seu charme foi o suficiente para que eu me rendesse a ele. Tivemos nossa primeira relação sexual em um luxuoso hotel que sediava um incrível baile de gala. Já no final da noite, ele me levou ao seu quarto, e ali me entreguei a ele, cega de paixão e desejo.

Tive uma noite de amor maravilhosa, eu estava apaixonada, então era tudo o que eu queria. Mas os tempos em que viviamos não me permitiam jamais deixar que alguém soubesse do ocorrido, então guardei aquele segredo para só para mim.

Durante os próximos dias, não conseguia mais encontrar meu amado. De tanto procurar, fiquei sabendo que ele estava à serviço da Marinha e que voltaria apenas em quinze dias.

Esperei por aquele tempo que mais parecia um ano, enfeitiçada de paixão e completamente atormentada pelos pensamentos que já me envolviam: “será que ele não me quer mais? Será que ele me abandonou? Ele não voltará”?

O curioso de tudo isso é que em nem um momento sequer da minha vida eu tinha me dirigido a Deus em meus pensamentos, nunca me importei com a espiritualidade das coisas e pessoas, não por ser descrente, mas apenas por ignorar, já que nunca fui educada para isso, pois meus pais embora sempre fossem muito bons comigo, eram ateus, portanto, nunca tive um ensinamento religioso.

Os pensamentos me castigavam, pois me sentia abandonada e apaixonada ao mesmo tempo. Também não estava preocupada com a desonra que seria para a época, eu ter me entregue sexualmente a um homem que não fosse o meu marido. Apenas sofria com as saudades e as incertezas.

Vinte dias se passaram, eu ansiosa aguardava o próximo baile com a esperança de encontrá-lo. Eram momentos de limitações quanto a comunicação, comparando com os dias atuais em que celulares e internet diminuem as barreiras e distâncias entre as pessoas, posso dizer que tínhamos um “mundo”  que nos separava, pois não sabia como encontrá-lo, não sabia o seu endereço, mas também como uma moça de comportamento exemplar para a época, também não deveria procurá-lo, pois não era “correto”.

O fatídico baile chegou, eu me preparei como nunca, estava mais bela do que jamais estive, entretanto, dentro de mim existia um vulcão de dúvidas, medos e saudades, prestes a explodir.

Mal a festa começou e pude avistá-lo passando elegantemente pelo ambiente principal do baile, e para minha surpresa e desespero, ele estava acompanhado por uma bela senhora.

Fiquei completamente atônita, sem expressão, sem reação, pois parece que o mundo parou para mim naquela hora. Sem qualquer postura ou polidez, simplesmente deslizei sobre um sofá quem me apoiava e lá fiquei sentada, imóvel, por um tempo que não sei dizer o quanto foi.

Quando recobrei minha consciência, fiz de tudo para segurar o choro, tentei ser forte e entender o que tinha acontecido, mas não demorou nada até que eu compreendesse a situação. Aquele oficial da Marinha ao qual eu me “entreguei”, era casado!

O que fazer? O que fazer? Eu não sabia, estava triste, desolada, tentando achar uma forma de virar aquela página e seguir em frente em minha vida. Sabia que podia me curar daquela doença da paixão, além disso, eu não tinha contado nada a ninguém.

Alguns dias depois do baile já comecei a me reanimar, meu orgulho, minha dignidade e meu coração estavam feridos, mas eu ia me recuperando. Sabia que podia melhorar, sabia que podia me refazer até descobri algo que mudou toda a minha vida e fez uma revolução em tudo ao meu redor: eu estava grávida.

Meu desespero foi completo, porque agora o problema era irremediável, não podia contar aos meus pais, pois a disciplina rígida na qual eu fui criada não me dava nenhuma alternativa de diálogo com eles. Também não podia recorrer ao pai da criança, ele era casado, ele me enganou e certamente não iria querer me receber, tampouco me reconhecer como sua esposa ou pai do meu bebê.

Pensei em suicídio, pensei em aborto, pensei nas piores possibilidades. Suicídio eu não tinha coragem, era muito vaidosa e egocêntrica para tal, e o aborto era muito arriscado, pois se qualquer pessoa soubesse eu estaria arruinada.  Toda a sociedade conhecia meu pai, portanto ao menor descuido ele ficaria sabendo da minha gravidez, e com isso exigiria conversar com o pai da criança, o que poderia ser a minha ruina perante a sociedade.

Foi então que decidi por um caminho que me transformou completamente: iria fugir de casa! Era a única maneira de resolver a situação.  Foi o que fiz.

Antes de deixar a minha casa, fiz de tudo para juntar o máximo de dinheiro que podia, pois não tinha planos, não sabia o que fazer, estava transtornada.  Meu sorriso fácil e cativante já não surgia mais como antes. Meus belos cabelos estavam sem brilho, mal cuidados, mal escovados.  Não usava mais maquiagem e já quase não me olhava no espelho, eu estava realmente muito mal.

Deixei uma carta na qual eu expliquei a história toda para meus pais, pedi desculpas, agradeci por tudo e com lágrimas nos olhos me despedi.

E assim eu parti em busca de uma saída, na qual eu nem imagina a qual seria.

Andei, andei, andei muito. De um lado a outro, de uma cidade a outra, sem saber o que fazer. Conheci muitas pessoas, conheci a vida como ela era realmente, a fome, a miséria, a dor e a tristeza das pessoas.

Nos primeiros dias, ficava em pequenos hotéis, mas quando meu dinheiro foi acabando, tive que economizar para não ficar na rua.

Em uma cidade com 200 km de distância do Rio de Janeiro, arrumei um emprego na cozinha de um pequeno restaurante. Eu lavava louças e ajudava a cozinheira que era a própria dona do estabelecimento. No começo eu não levava muito jeito para o trabalho, afinal jamais tinha precisado trabalhar antes, entretanto, o tempo me ensinou e me tornei muito útil a cozinheira, e também muito eficiente em meu trabalho.

Minha patroa era uma pessoa muito generosa e assim ela me permitia residir em um pequeno quarto nos fundos do restaurante.

O tempo foi passando e o inevitável aconteceu, minha barriga foi crescendo e as pessoas começavam a fazer perguntas sobre quem era o pai e coisas do gênero.

Minha patroa me deu toda a atenção que eu precisava, mas ela era carente de recursos que uma gestação e achegada de um filho requeriam. Ela também era uma pessoa muito sozinha, pois depois que se tornou viúva e os filhos se casaram, não tinha mais ninguém por perto para auxiliá-la.

Minha barriga já estava muito grande, e em uma quinta-feira feira à noite o bebê quis vir ao mundo.  Minha patroa logo chamou uma parteira, que sem demora veio até o meu quarto trazer ao mundo Isabeli, minha pequena menina.

Naquela noite, a amargura do meu sofrimento, a tristeza dos meus dias, a agonia do momento da partida de meu antigo lar, deram espaço para um sentimento de amor sem igual. Quando vi minha pequena Isabeli pela primeira vez, senti como se um sol tivesse aparecido em minha vida. O meu sorriso surgiu fácil de novo em meus lábios, eu renasci.

Para conseguir criar minha menina, encontrei ajuda em um orfanato coordenado por duas freiras.  Elas eram chamadas de “As filhas de Maria”.

As filhas de Maria nos receberam e nos deram o amparo que precisávamos, e, pela primeira vez em minha vida, senti um sentimento tão puro de solidariedade que minha visão sobre o mundo mudou mais um pouco.

Eu continuava trabalhando no restaurante, mas a pequena Isabeli era cuidada pelas generosas freiras.  Neste convívio com as filhas de Maria, tive contato com o meu primeiro e único ensinamento religioso daquela encarnação.  Meu coração se lapidava a cada dia, pela força do amor que nutria por Isabeli e pelo carinho e ensinamentos das filhas de Maria.

Aos pouquinhos, as feridas de minha alma começavam a cicatrizar. Não queria mais saber de me casar novamente, e mesmo me sentindo muito culpada em relação ao que fiz com os meus pais, ainda sim, não queria voltar no tempo, queria esquecer o meu passado e a minha vida de filha de diplomata.

Era curioso, mas mesmo nos momentos de dor, de sofrimento e de carência de recursos, eu jamais senti tristeza por ter abandonado a vida de luxo que eu levava, pois embora as condições que eu tinha me favoreciam muito, naquele momento eu podia perceber o quanto eram dias vazios, sem sentido e sem amor.

E assim os dias foram passando, eu fui me tornando mais humana, fui aprendendo sobre Deus, sobre o amor, sobre a caridade.  Fui me transformando aos poucos. Até que por volta do seus cinco anos, Isabeli começou a ficar doente.

Quando Isabeli adoeceu, meu coração entendeu pela primeira vez a força da oração, já que por intermédio da dor que eu sentia, consegui me conectar com a força Divina pela primeira vez em minha existência. Eu sofria pela doença grave de minha pequena criança, mas ao mesmo tempo o calor provocado pelas emoções perturbadas de minha alma se arrefecia com o efeito balsâmico provocada por uma oração devotada.

Aprendi a rezar somente quando me tornei mãe!

E o que pode parecer mais contraditório também foi o acontecimento mais importante desta encarnação: quando senti a maior dor de minha alma, foi também quando senti a maior presença espiritual de minha vida.

Nos últimos minutos de vida da pequena enferma, enquanto eu chorava e rezava, minha alma foi transportada para uma pequena Igreja onde aquele que chamavam de Jesus, estava me esperando, segurando fraternamente Isabeli pelo seu braço direito.

Naquela experiência sobrenatural, Jesus me disse que Isabeli era um mensageiro de Deus enviado para clarear a minha consciência e iluminar meu coração, e que já era chegada a hora d’ele voltar.

Isabeli agora de mãos dadas com Jesus, veio correndo em minha direção, com toda a doçura, amor e consciência de uma criança de cinco anos, e me disse: “obrigado mamãe, agora eu vou ficar com Jesus”.  Ela me abraçou e me beijou amorosamente antes de partir, segurando em uma mão a mão de Jesus e na outra, uma pequena boneca de pano.

Depois disso, eu subtamente voltei daquela experiência espiritual e tomei consciência do meu corpo novamente, ainda ali ao lado de Isabeli, mas tinha entendido tudo, estava confortada, estava estranhamente feliz.

Rezei com mais fé e devoção ainda, e debruçada sobre o corpo infermo de minha pequenina eu disse:

“Vai minha querida filha, vai mensageiro de Deus que curou a minha vida. Muito obrigado pelo que você fez comigo, muito obrigado por me ensinar a rezar”.

Depois de alguns segundos, o corpo daquela ser angelical que se pronunciou como mensageiro divino morreu, mas a sua alma seguiu amparada pelo mestre Jesus.

Eu tive a maior transformação de minha vida. Eu não sofria mais, apenas sentia saudades, pois minha consciência se iluminou.

Por conta de toda esta transformação a qual fui submetida, o sentido de minha vida mudou. Passei a a integra a equipe das filhas de Maria e dediquei todo o resto de minha encarnação a ajudar mães em sofrimento e crianças carentes, bem como me dediquei com especial atenção em ensinar sobre o poder da oração e os seus benefícios para o corpo e para a alma.

Desencarnei logo após completar 73 anos e descobri que no plano espiritual posso continuar o mesmo trabalho, ainda com mais recursos e com mais vontade e dedicação.

Foi aqui também, na dimensão espiritual, que pude me encontrar com meus antigos pais da vida física e me harmonizar com eles.

Hoje, em minha atual condição no plano espiritual, dedico-me a ajudar nas correntes espirituais de socorro as mulheres em desespero e a contribuir com o despertar dos valores espirituais para aquelas que ainda estão mergulhadas na futilidade e na vaidade. Tenho a missão de contribuir para que as mulheres saibam que não há nada mais belo do que seus corações incendiados pelo puro amor.

Agradeço pela abençoada oportunidade de aqui me expressar e contar a minha história de dor, amor e redenção.

 

Eu sou Deodora, aquela que só aprendeu a rezar quando se tornou mãe.

 

Mensagem psicografada por Bruno J. Gimenes

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