L U Z D A S E R R A

por:Cristina Sarraf

O cérebro “é a mais complexa estrutura física existente”, exatamente para permitir a manifestação da mente, que para nós espíritas, é uma estrutura complexa, desenvolvida pelo Espírito em si mesmo, no decorrer dos milênios evolutivos, compondo funções que hoje chamamos de cognitivas: pensamento, razão, memória, raciocínios, idéias, e também a organização e o funcionamento do corpo. Mas a mente nada tem a ver com sensações, sentimentos, percepções, emoções, embora usemos dela para expressar essas capacidades.

Dizendo de forma simples, mas real, a mente “aprende” por repetição, funcionando de duas maneiras: ou mecanicamente ou pela ação da vontade, que é sempre a do Espírito que a possui. Para que outros atuem sobre a mente, é preciso que seu “dono” permita. Por isso há quem a confunda com o próprio Espírito. Mas não! O Espírito tem a mente.

No entanto, a ação espiritual alheia sobre nossa mente é relativamente fácil, porque absorvemos sem notar, influências e emanações que estão no ambiente,sobretudo se direcionadas a nós. “Poluídos” , perdemos feeling/sintonia fina e aceitamos domínio, perturbação, abusos… Sendo portanto, necessário trabalhar a observação das sensações, pois elas nos defendem. A sensibilidade não é mental e por isso não recebe influência.

O processo condicionador natural da mente, muito usado pela psicologia comportamental ou pelo marketing, nos confunde e pensamos que estamos pensando, quando na realidade só acionamos a repetição do que já está gravado. Podemos raciocinar, mas se não treinarmos, o raciocínio não funciona quando precisamos, mantendo-se preguiçoso.

Essa desatenção às funções mentais, agindo como se Deus fosse o responsável pelo que pensamos, acarreta um excesso de mecanização e a criação de muitos hábitos mentais, que funcionam como programas de computador: se acionados disparam um determinado comportamento. É o que acontece quando sem saber como, agimos de uma certa forma -exatamente aquela que já não queremos mais usar- e não sabendo como ocorreu, dizemos: “foi sem querer”, “quando vi já tinha falado”, “saiu sem pensar… Muitos desses hábitos já nasceram conosco, fruto dos condicionamentos feitos em vidas passadas; e seu funcionamento é autônomo em relação a razão, porque foi automatizado.

Claro que as nossas características são todas úteis, e ninguém conseguiria dirigir um automóvel se não houvesse a mecanização e a memorização. Mas quando tudo na vida vai ficando “no automático”, chega a hora de parar para examinar o que estamos fazendo conosco e o por quê disso.

Se a mente “aprende” pela repetição de um mesmo ato, pensamento, idéia, conduta, e se descobrimos, graças a observação, que temos certos hábitos mentais que estão nos criando dificuldades e emperrando nosso progresso, o que temos a fazer é nos desfazer deles, ou seja, reprogramar a mente, substituindo-os por outros, melhor escolhidos.

O procedimento para reprogramação é o mesmo da programação: repetir até mecanizar. É “limpar” regravando, num processo consciente de experimentar uma nova atitude. Fale consigo mesmo e persista; a substituição é gradativa, pois depende da intensidade e da antiguidade do hábito. Só que agora, o discernimento e a vontade dão as mãos, porque a automação está instalada e substituí-la “dá trabalho”. Mas o sofrimento aponta a urgente necessidade desse investimento.

O Espiritismo, composto de Princípios ou idéias básicas, oferece-nos uma inestimável colaboração nesse sentido. Adotando essa coluna mestra ideológica, podemos usá-los como critério de escolha do nosso modo de pensar e portanto, como instrumento reprogramador muito vantajoso, por ativarem valores construtivos de uma vida mais harmoniosa.

Um fato comum: o ponto de vista condicionado, e equivocado, de que só podemos ser felizes se determinada pessoa nos amar, é um hábito arraigado que nos infelicita e predispõe a enganos. Com base nesses Princípios, ele seria substituído pela informação espírita de que somos indivíduos individualizados e os únicos responsáveis por nós mesmos, sendo que ninguém pode nos compreender da maneira que desejamos, porque cada um tem sua história de vida e suas características pessoalíssimas. Isso significa que o amor dos outros é benéfico e desejável, mas o nosso por nós mesmos é essencial e vem em primeiro lugar.

Alguns outros exemplos, onde um ou mais dos Princípios são base de um novo modo de pensar, podendo ser focados no que se precisa:

– sou reencarnante; trago uma bagagem que pode ser melhorada, minhas dificuldade são fruto do que ignoro ou de não ter preparo para saber lidar;

– não tenho obrigação de acertar sempre, porque estou em evolução, em aprendizagem; não há porque sentir culpa, já que fiz o melhor que pude e não soube avaliar, naquele momento, as conseqüências desagradáveis da minha escolha;

-cada pessoa está em evolução e tem aspectos, uns mais e outros menos desenvolvidos, por isso, ninguém é inferior ou superior, essas são posições sempre relativas;

-sou imortal, o que não puder ser feito agora, farei quando estiver equipado para tanto; todas as cobranças, exigências ou o fingimento de superioridade só atrapalham e retardam; o mesmo vale para minha relação com os outros;

-tenho livre arbítrio e não preciso que ninguém decida por mim. Pode-se colher opiniões e trocar idéias, e isso é bom, mas as decisões são exclusivas da própria pessoa; mesmo que se deixe dominar, as consequências são de sua responsabilidade

-sou fruto do pensamento de Deus e tenho as leis universais dentro de mim. Isso que dizer que ele não quer nada para mim, não decide por mim, não escolhe por mim e nem me obriga a nada, pois caminho conforme as possibilidades que tenho rumo à perfeição

– a mediunidade não atrai Espíritos, é apenas um recurso de comunicabilidade com eles. Portanto os sofrimentos, complicações e dificuldades que o médium passa nada tem a ver com a sua mediunidade e sim, são o resultado de sua forma de ser e pensar, identicamente ao que acontece com todos os demais seres humanos. Sendo um tanto desenvolvida, a mediunidade da pessoa lhe permite saber que tipo de Espíritos a rodeiam e convivem bem com seu regime mental

Por: Cristina Sarraf
Fale com Cristina: [email protected]

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