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Madre Teresa de Calcutá, A Manifestação da Paz

MAI2009 15
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Madre Teresa de Calcutá, A Manifestação da Paz

Em 26 de agosto de 1910, nasceu a menina Agnes Gonxha Bojaxhiu, em Skoplje, (Albânia). Irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia. Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque a Madre preferia não falar de si. Foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial. Tinha uma voz muito bonita e logo se converteu na solista do coro da igreja da sua aldeia e até dirigiu o coro, lá pelos anos vinte. Ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo em que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração.

Aos dezoito anos, em 1928, surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e, por indicação do sacerdote que a orientava, entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin, na Irlanda.

O seu sonho era ir à Índia para desenvolver o trabalho missionário junto aos pobres. Por isso, ao fim de poucos meses de estada na Irlanda, Agnes partiu para a Índia, em 24 de maio de 1931.

O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. Ainda em 1931, faz a profissão religiosa, emite os votos temporários de pobreza, castidade e obediência, tomando o nome de Teresa. Houve uma intenção na escolha desse nome, como ela própria diz: a de se parecer com Teresa de Jesus, não com a grande santa espanhola, mas com a humilde carmelita de Lisieux, que ensinou aos homens do nosso tempo o caminho da infância espiritual.

De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passa a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde, foi nomeada Diretora. Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. Havia muito humanismo nas suas palavras e atitudes. Embora cercada de meninas filhas das melhores famílias de Calcutá, impressionava-se com o que via quando saía à rua: os bairros de lata? com cheiros nauseabundos, crianças, mulheres e velhos famélicos. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida de Madre Teresa como o "dia da inspiração". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim:

"Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim..."

Irmã Teresa pensava nos pobres de Calcutá que todas noites morrem pelas ruas e que, na manhã seguinte, eram lançados para o carro da limpeza como se fossem lixo. Não! Ela não conseguia habituar-se a esse terrível espetáculo de pessoas esqueléticas morrendo de fome ou pedindo esmola pelas ruas.

A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: ? O que poderei fazer por estes infelizes??

Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que, amorosamente, sujeitara-se e que cumprira com toda a fidelidade. Mas Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres?

Foi assim, com todas essas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.

Tendo regressado a Calcutá, foi conversar com o Arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida.

A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde, ela comentou assim: "Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus."

Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas, demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá. Mas por vezes, um questionamento surgia em sua mente: não será tudo isto uma tentação do demônio?

Um ano depois, foi conversar novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta, qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou-lhe: ?- Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora.?

A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta, expondo o seu plano. A Superiora viu, nessas linhas, a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: "Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs."

Mons. Périer pediu autorização a Roma para Irmã Teresa deixar as Irmãs de Loreto, "para viver só, fora do claustro tendo Deus como único protetor e guia, no meio dos mais pobres de Calcutá."

A resposta de Pio XII chegou no dia 12 de Abril de 1948. Nela se concedia a desejada autorização sublinhando-se que, embora deixando a congregação de Nossa Senhora de Loreto, a Irmã Teresa continuava religiosa sob obediência ao Arcebispo de Calcutá.

Só em 08 de Agosto de 1948, ela deixou o colégio de Santa Maria. Custo imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois, dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem, que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura.

Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro imundo, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois, eram cerca de cinquenta.

Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, debruado de azul e colocou-lhe no ombro uma pequena cruz, transformando essa roupa em seu novo hábito, o vestido de uma modesta mulher indiana.
Com o alfabeto, a irmã dava lições de higiene e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo, levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de toda espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa!

Mas o início foi duro. Ela sentiu a angústia terrível da solidão. ?Um dia, depois de dar voltas e mais voltas, à procura de uma casa, era preciso encontrar um teto para acolher os abandonados, então pus-me a caminho para achá-lo. Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo.?

Há fatos curiosos na vida de Madre Teresa em que podemos ver um sinal da aprovação de Deus à sua obra. Ela mesma conta:

"Era a minha primeira volta pelas ruas de Calcutá depois de ter recebido autorização para meu novo trabalho com os pobres. A certa altura aproximou-se de mim um sacerdote pedindo-me um donativo para uma coleta que estava a realizar-se a favor da boa imprensa. Tinha saído de casa com cinco rúpias (moeda indiana). Já tinha dado quatro aos pobres. Entreguei-lhe a única rúpia que me restava. Ao entardecer, o mesmo sacerdote veio ao meu encontro com um envelope. Disse-me que lhe tinha sido dado por um senhor desconhecido que ouvira falar dos meus projetos e queria me ajudar. No envelope havia cinquenta rúpias. Naquele momento tive a sensação de que Deus começava a abençoar a minha obra e que nunca me abandonaria."

Outra benção de Deus foram as vocações que começaram a surgir precisamente entre as antigas alunas de Madre Teresa. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência, filha de uma boa família. Disse ela à Madre: ?- Madre Teresa, se me aceitar, estou disposta a ficar consigo e a colocar a minha vida a serviço dos pobres.?

Respondeu-lhe a Madre: ? - Minha filha, pensa melhor, reza mais e, daqui há algum tempo, vem ter novamente comigo.?

Era quase o mesmo conselho que Mons. Périer lhe tinha dado, tempos atrás. A jovem foi, pensou, rezou e, no dia 19 de Março de 1949, dia de São José, era aceita na nova Congregação, que começava a surgir, escolhendo como nome para vida religiosa o nome de batismo da sua antiga professora: Agnes. A esta, outras se seguiram, sem qualquer propaganda. Apenas atraídas pelo testemunho daquelas que se chamariam, mais tarde, Missionárias da Caridade.

Madre Teresa conta assim o início da congregação:
?Uma a uma, a partir de 1949, vi chegar jovens que tinham sido minhas alunas. Vinham com o desejo de dar tudo a Deus e tinham pressa em fazê-lo. Despojavam-se, com íntima satisfação, dos seus saris luxuosos para revestir-se do nosso humilde sari de algodão.

Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. Quando uma filha das velhas castas se coloca ao serviço dos párias, trata-se de uma revolução. A maior. A mais difícil de todas: a revolução do amor!

Uma vida mais regular começou então para a nossa pequena comunidade. Abrimos escolas enquanto continuávamos a visita aos bairros pobres. As vocações afluíam e a nossa casa tornou-se muito pequena.?

Ainda em 1949, Madre Teresa começou a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação.

O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma lhes causava medo. Se as Irmãs não vissem nesses infelizes o rosto de Cristo, o trabalho seria impossível.

? Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio. Os pobres não merecem só que os sirvamos, merecem também a alegria e as Irmãs oferecem-na em abundância. O próprio espírito da nossa congregação é de abandono total, de amor confiante e de alegria... É a nossa regra, para procurarmos fazer alguma coisa de belo por Deus!?
A lista dos bens das Irmãs era pequena: um prato esmaltado e coberto, dois saris baratíssimos, um jogo de roupa interior grosseira, um par de sandálias, um pedaço de sabão, um travesseiro e um colchão extremamente delgado, acompanhado de um par de lençóis e, para completar tudo, um balde metálico com o respectivo número.

Assim, com o colchão enrolado debaixo do braço e as restantes coisas colocadas no balde, a Irmã que viajava, levava todos os bens consigo.

Ao menor sinal, as Irmãs estavam preparadas para partir: "Com um pouco de treino, consigo estar pronta para partir em trinta minutos?, dizia a Madre.

A Congregação de Madre Teresa foi aprovada pela Santa Sé em 7 de outubro de 1950. Em agosto de 1952, abriu o lar infantil ?Sishi Bavan? - Casa da Esperança - e inaugurou o seu famoso "Lar para Moribundos", em Kalighat, ao qual dedicava as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começou a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. A obra de Madre Teresa cresceu rapidamente. Não trazia esquemas pré-fabricados. O ritmo e as iniciativas eram marcadas pelo inesperado de cada dia.

No ano de 1952, percorria, como de costume, as ruas prestando ajuda aos mais necessitados. De repente, parou diante de um espetáculo horripilante: uma mulher agonizava no meio de escombros, roída pelos ratos e pelas formigas.

Madre Teresa aproximou-se e ouviu um queixume em voz muito tênue: ?E dizer que foi o meu próprio filho que me jogou aqui!?

Recolheu-a e levou-a ao hospital mais próximo. Quando viram aquele semicadáver, responderam a Madre Teresa:

?- Aqui não há lugar para estes casos! Não podemos aceitar essa mulher!?

Então a Madre respondeu:

?- Pois eu não sairei daqui enquanto vós a não receberdes.?

A mulher entrou, mas morreu pouco depois.

De regresso a casa, Madre Teresa pensou na sorte dos moribundos que, todos dias, morriam pelas ruas de Calcutá sem ninguém lhes prestar assistência. A imprensa tinha abordado esse problema precisamente naqueles dias. Madre Teresa aproveitou a oportunidade e disse à autoridade:

?- Dêem-me um local que eu encarrego-me de tratar dos moribundos.?

Deram-lhe duas grandes salas de um edifício contíguo ao templo da deusa Kali, denominado "Casa do Peregrino" porque servia de dormitório aos peregrinos. Ela lhe mudou o nome para "Casa do Moribundo."

Os hindus não simpatizaram com a doação de um espaço sagrado hindu a uma mulher católica. Consideraram uma profanação. Resolveram, por isso, encarregar uma pessoa de espionar todos os movimentos da religiosa e de, no momento oportuno, desfazer-se dela. Tendo conhecimento desse plano, Madre Teresa apresentou-se ao chefe e disse-lhe:

?- Se querem matar-me, matem-me agora mesmo, mas não façam mal aos meus pobres moribundos.?

Ele ficou surpreendido com a atitude valorosa dessa mulher que veio confirmar as boas informações já dadas pelo espião:
?- Observei com todo o cuidado a ação daquela mulher e a minha impressão foi de que, ao olhar para ela, me pareceu ver a própria deusa Kali em ação. Não façais, portanto, mal a essa mulher.?

Pouco a pouco, os hindus tornaram-se seus amigos. Para isso, contribuiu muito um fato que a própria Madre Teresa contou assim:

?Um desses hindus contraiu a tuberculose. Nenhum hospital o teria recebido. Nós fizemos todo o possível para curá-lo.?

Os seus companheiros vinham vê-lo. Ao princípio blasfemava contra Deus levado pelo desespero da sua doença. Da nossa parte não nos poupávamos a esforços para lhe sermos agradáveis e minorar a suas dores.

Pouco a pouco, a sua atitude foi mudando. Chegou até a pedir a benção antes da morte que foi muito serena. Os seus companheiros não conseguiam explicar o que tinha acontecido.

Depois disto, os sacerdotes da deusa Kali nunca deixaram de demonstrar-nos a sua amizade e até de dar-nos a sua colaboração, em muitos casos..."

Em 01 de fevereiro de 1965, a ordem foi aprovada pela Santa Sé; e, com a proteção da aprovação pontifícia, estendeu-se por toda a Índia. Ainda em 1965, fundou, no dia 26 de Julho, a sua primeira casa na América Latina, concretamente na Venezuela, na Arquidiocese de Barquisimeto. Em 1967, abriu outra no próprio coração da cristandade, em Roma, por desejo expresso de Paulo VI; mais adiante, João Paulo II lhe deu de presente uma casa dentro do próprio Vaticano.

A partir de 22 de Agosto de 1968, a Congregação estendeu-se por outras regiões: Ceilão, Itália, Austrália, Bangladesh, Ilhas Maurícias, Peru, Canadá, etc. Em 8 de Dezembro de 1970, as Missionárias da Caridade abriram a sua primeira casa em Londres e fixam o noviciado para a Europa e América.

Em 1973, abriu uma casa em Gaza, na Palestina, para atender aos refugiados, e celebrou a primeira Assembléia Internacional dos Colaboradores das Missionárias da Caridade, instituição cujos estatutos tinham sido aprovados em 1969, e que reuniu centenas de milhares de pessoas de todo o mundo: 50.000 leigos, aos quais era preciso acrescentar todos os doentes e todos os que sofriam e ofereciam a sua dor pelas intenções da Madre Teresa.

Em 15 de junho de 1976, em Nova York, que era para a Madre o lugar mais necessitado de oração, fundou o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. Em dezembro de 1976, inaugurou centros de assistência no México e Guatemala. Em 17 de Outubro de 1979, Madre Teresa recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Ainda nesse ano, João Paulo II recebeu-a em audiência privada e ela se converteu, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor "embaixadora" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do Planeta.

Em 28 de Junho de 1980, sua cidade natal, Skoplje nomeou-a "Cidadã Ilustre". Muitas universidades lhe conferiram o título "Honoris Causa". Ainda em 1980, recebeu a Ordem "Distinguished Public Service Award" nos EUA.

Em 1981, inaugurou, em Berlim Oriental, a primeira das suas fundações em países submetidos ao marxismo. Anos mais tarde, foi recebida por Mikhail Gorbachov e abriu uma casa na Rússia. O mesmo aconteceu em Cuba.

Em 1983, estando em Roma, sofreu o primeiro grave ataque de coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: "A senhora tem coração para mais trinta anos". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar.

Em setembro de 1985, foi reeleita Superiora das Missionárias da Caridade pelo Capítulo geral da Congregação. Só outra Irmã, Josepha Michael, viu o seu nome escrito num dos votos: o que fora depositado na urna eleitoral pela Madre Teresa... Os outros 66 foram unânimes. No mesmo ano, recebeu do Presidente Reagan, na Casa Branca, a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais alta condecoração dos Estados Unidos. Participou de Sínodos, como o de 1986, e dos atos do Ano Mariano, de 1987 e do Ano Santo da Redenção, bem como das viagens papais.

Em agosto de 1987, na União Soviética, foi condecorada com a Medalha de ouro do Comitê Soviético da Paz. Pouco depois, visitou a China e a Coréia.
Em agosto de 1989, realizou um dos seus sonhos: abrir uma casa na sua Albânia natal que, apesar de ser um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta, até há pouco fazia gala de ser o país mais ateu do mundo, o único em cuja Constituição figurava, paradoxalmente, o ateísmo como "religião do estado".
Em setembro de 1989, sofreu o seu segundo ataque de coração e correu sério risco de vida, mas recuperou-se e retomou o seu incrível trabalho com mais ardor e vigor do que antes, apesar do marca-passo.

Em 1990, pediu a João Paulo II para ser substituída no seu cargo, mas voltou a ser reeleita por outros seis anos, até 1996. O Papa tornou a confirmá-la como Superiora das Missionárias da Caridade.

Em 05 de Setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, foi a vez dela se encontrar, definitivamente, com o Dono e Senhor da sua alma.
Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da Igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. O mesmo veículo que, em 1948, transportara o corpo do Mahatma Gandhi, foi utilizado para realizar o cortejo fúnebre da Mãe dos Pobres.

Entre os 124 reconhecimentos recebidos pelas nações, estavam o Prêmio Padmashree -do Presidente da Índia- em Agosto de 1962, o Prêmio pela Paz do Papa João XXIII, em Janeiro de 1971 , o Prêmio Internacional John F. Kennedy, em Setembro 1971, o Prêmio Jawahalal Nehru pelo acordo Internacional, em Novembro 1972, o Prêmio Templeton pelo ?Progresso em Religião?, em Abril de 1973, o Prêmio Nobel da Paz, em Dezembro 1979, o Harat Ratna (Jóia da Índia), em Março de 1980, a Ordem do Mérito (da Rainha Elizabeth), em Novembro de 1983, a Medalha de Ouro do Comitê Soviético pela Paz, em Agosto de 1987, e a Medalha de Ouro do Congresso dos Estados Unidos, em Junho de 1997. Em 19 de Outubro de 2003, O Papa João Paulo II proclamou ?Beata?, a Madre Teresa de Calcutá. Nesse dia, no ano dedicado ao Rosário, a Igreja também celebrou o 25º aniversário de pontificado do Santo Padre e a Jornada Missionária Mundial. O chamado dirigido por Jesus à Madre Teresa, em 1946, ?Venha, seja a minha Luz?, ressoou novamente na Praça São Pedro, e fomos convidados a irradiar a luz de Cristo nas trevas da pobreza e da dor humana.

O Milagre para a Beatificação da Madre Teresa

Para que alguém seja nomeado beato na Igreja Católica, é necessário que um milagre seja comprovado. Como se não bastasse tudo o que a Madre havia feito.

Diante de muitos relatos de bênçãos recebidas por Madre Teresa e enviadas ao Vaticano, o milagre escolhido foi a cura milagrosa de Monika Besra, uma mulher indiana de 30 anos, casada e com filhos, com um abscesso no abdômen.

Os médicos pensavam que a moça era muito fraca para enfrentar uma cirurgia. Enquanto isso, a situação piorava com o passar das horas. Algumas Missionárias da Caridade que a assistiam, iniciaram a rezar e lhe colocaram sobre a barriga uma "medalha milagrosa" que esteve em contato com o corpo de Madre Teresa antes de ela ser sepultada. À noite, a doente acordou e percebeu que o abscesso tinha desaparecido sem nenhuma intervenção cirúrgica. As visitas médicas seguintes verificaram que a mulher tinha voltado a ter uma saúde normal.

Os ensinamentos de Madre Teresa:

?Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas. Perdoe-as assim mesmo.?
?Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de egoísta, interesseiro. Seja gentil, assim mesmo.?
?Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros. Vença assim mesmo.?
?Se você é honesto e franco as pessoas podem enganá-lo.Seja honesto assim mesmo.?
?O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra. Construa assim mesmo.?
?Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja. Seja Feliz assim mesmo.?
?Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode nunca ser o bastante. Dê o melhor de você assim mesmo.?
?Veja você que no final das contas, é entre você e Deus.
Nunca foi entre você e as outras pessoas!?

Por: Patrícia Cândido
patricia@luzdaserra.com.br

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