- Postado por: Luz da Serra
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Em várias oportunidades, Jesus tinha feito afirmações às quais levaram seus ouvintes a inferir que, embora tivesse a intenção de deixar este mundo em breve, ele voltaria muito certamente, para consumar o trabalho do Reino do céu.
À medida que, em seus seguidores, aumentou a convicção de que, ele estava para deixá-los, se elevou também, a de que, depois que tivesse partido deste mundo, mais do que natural seria, para todos os crentes, se manterem apegados às promessas de que ele retornaria.
A doutrina da segunda vinda de Cristo se tornou, assim, logo incorporada aos ensinamentos dos cristãos, e quase toda a geração posterior, de discípulos, tem acreditado devotamente nessa verdade e aguardado confiantemente, essa vinda, em alguma época.
Já que eles deviam se separar do seu Educador e Mestre, então esses primeiros discípulos e apóstolos tinham, ainda, mais motivos para se agarrarem a tal promessa de retorno; e eles não tardaram em ligar a destruição prevista de Jerusalém, atrelando-a à segunda vinda prometida.
E continuaram a interpretar assim as suas palavras, apesar dos esforços especiais do Mestre, durante essa noite de instrução no monte das Oliveiras, para impedir exatamente esse erro.
Continuando a responder à pergunta de Pedro, Jesus disse:
"Por que vós ainda supondes que o Filho do Homem deva se sentar no trono de Davi e por que esperais que os sonhos materiais dos judeus sejam cumpridos"?
"Já não vos disse todos esses anos que o meu Reino não é deste mundo"?
"As coisas que estais agora desprezando estão chegando a um fim; mas que, seja esse, um novo começo do qual, o evangelho do Reino, saia para todo o mundo e seja, a salvação levada a todos os povos".
"E quando, o Reino tiver chegado à sua plena fruição, podeis estar seguros de que, o Pai no céu não deixará de vos contemplar, com uma revelação ainda maior da verdade e com uma demonstração, mais elevada de retidão, pois Ele já outorgou a este mundo, aquele que se tornou o príncipe das trevas e, então, lhe deu Adão, que foi seguido por Melquisedeque e, nestes dias, pelo Filho do Homem".
"E, assim, o meu Pai, irá continuar a manifestar a sua misericórdia e demonstrar o Seu amor, até mesmo a este mundo escuro e mau".
"E assim também eu, depois que o meu Pai, me investir de todo o poder e autoridade, continuarei junto de vós, na vossa sorte e prosseguirei vos guiando nos assuntos do Reino, por intermédio da presença de meu espírito, que será em breve vertido sobre toda a carne".
"Embora mesmo estando assim em espírito presente entre vós, eu prometo também que, algum dia, eu retornarei a este mundo onde vivi esta vida na carne e onde tive a experiência de simultaneamente, revelar Deus ao homem e de conduzir o homem a Deus".
"Muito em breve devo vos deixar e retomar o trabalho que o Pai confiou às minhas mãos, mas tende bastante coragem, pois eu voltarei dentro de algum tempo".
"Nesse ínterim, meu Espírito da Verdade, de um universo, irá confortar-vos e guiar-vos".
"Vós me vedes agora em fraqueza e na carne, mas, quando eu voltar, será em poder e em espírito".
"O olho da carne contempla o Filho do Homem na carne, e apenas o olho do espírito verá o Filho do Homem, glorificado pelo Pai e surgindo na Terra, em seu próprio nome".
"Mas a época do reaparecimento do Filho do Homem é conhecida apenas nos conselhos do Paraíso, nem mesmo os anjos dos céus sabem quando isso ocorrerá".
"Contudo, vós deveríeis entender que, quando esse evangelho do Reino tiver sido proclamado a todo o mundo, para a salvação de todos os povos, e quando o tempo tiver alcançado a sua plenitude, o Pai vos enviará uma outra outorga, dispensacional, ou então o Filho do Homem, retornará para julgar a era".
"E agora a respeito das atribulações de Jerusalém, sobre as quais eu vos falei, mesmo essa geração não passará, antes que as minhas palavras se cumpram; mas a respeito da época do retorno do Filho do Homem, ninguém no céu ou na Terra pode presumir falar".
"Mas deveríeis ser sábios a respeito do amadurecimento, de uma época; deveríeis estar alertas para discernir os sinais dos tempos".
"Vós sabeis que, quando a figueira mostra os seus tenros galhos e dá as suas folhas, é porque o verão está próximo".
"Do mesmo modo, quando o mundo tiver passado, pelo longo inverno de mentalidade materialista, e vós discernirdes, a vinda da primavera espiritual de uma nova dispensação, deveríeis saber que, o verão de uma nova visitação se aproxima".
"Mas, qual é o significado desse ensinamento, que tem a ver com a vinda dos Filhos de Deus"?
"Não percebeis que, quando cada um de vós, for chamado, para abandonar a sua vida de luta e passar pelo portal da morte, então estareis na presença imediata, do julgamento e face a face, com os fatos de uma nova dispensação de serviço, no plano eterno do Pai infinito"?
"O que todo mundo deve encarar, como um fato real, ao final de uma época, vós, como indivíduos, deveis, cada um, com toda certeza, encarar como uma experiência pessoal, quando alcançardes o fim da vossa vida natural e passardes a vos confrontar com as condições e as demandas inerentes, à próxima revelação na progressão eterna dentro do Reino do Pai".
Dentre, todos os discursos que o Mestre fez para os seus apóstolos, nenhum, se tornou tão confuso, em suas mentes, como o pronunciado nessa terça-feira à noite, no monte das Oliveiras, a respeito das duas questões que, consistiram na destruição de Jerusalém e na sua própria segunda vinda.
E os escritos subseqüentes, baseados nas memórias sobre o que fora dito pelo Mestre, nessa ocasião extraordinária, não concordam entre si.
Conseqüentemente, como os registros foram deixados em branco, no que dizia respeito à grande parte do que fora dito, naquela noite de terça-feira, muitas tradições surgiram; e, logo no alvorecer do segundo século, um apocalipse judeu, sobre o Messias, escrito por um homem chamado Selta, que era ligado à corte do imperador Calígula, foi integrado ao evangelho de Mateus e, subseqüentemente, acrescentado (em parte) aos registros de Marcos e Lucas.
Foi desses escritos de Selta que, a parábola das dez virgens apareceu.
Nenhuma parte do registro dos evangelhos, jamais sofreu erros de construção, geradores de tanta confusão, como o do ensinamento dessa noite.
Mas o apóstolo João, nunca se deixou confundir desse modo.
Ao retomarem a sua marcha para o campo, esses treze homens estavam sem falar e sob uma grande tensão emocional.
Judas tinha, finalmente, confirmado a sua decisão de abandonar aquele grupo.
Era tarde quando Davi Zebedeu, João Marcos e alguns dos principais discípulos, acolheram Jesus e os doze no novo campo, mas os apóstolos não quiseram dormir; eles queriam saber mais, sobre a destruição de Jerusalém, sobre a partida do Mestre e sobre o fim do mundo.
Texto de José Maria Font Juliá, com base no UB.
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