Universo Holístico, Evolução e Consciência

Divorciando de si mesmo

FEV2010 07
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  • Postado por: Luz da Serra
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Divorciando de si mesmo

por:Aline Schulz

Em 15 de maio de 2005, na Zero Hora, em sua coluna, Martha Medeiros genialmente escreveu um artigo intitulado A nossa biografia. Na época, tendo muito impacto sobre a minha pessoa, arranquei literalmente a página do jornal e a guardei. Anos depois, remexendo algumas coisas pessoais deparei-me com ele. Percebi que mesmo quase 05 anos depois o assunto ainda era tocante e atual.

O texto fala sobre o quanto não admitindo nossos fracassos, fingimos para todos e até mesmo a nós mesmos que está tudo bem. Mostra o quanto evitamos assumir que estamos fracassados, exaustos, magoados, desiludidos diante do que acontece ao nosso redor. Com isso, não olhamos de frente o que está acontecendo conosco.

Os dias transcorrem e sequer percebemos que aos poucos vamos assumindo máscaras diferentes perante cada pessoa, cada situação, até o momento que nos olhamos nos espelho e não nos reconhecemos mais. Como sabiamente colocou Martha Medeiros: colocamos um farsante para viver em nosso lugar. Ou seria, sobreviver em nosso lugar?

O que dirá então, assumir o que sente e o que pensa sobre si mesmo. Neste instante, nos divorciamos de nós mesmos. Pois colocamos uma fachada de que está tudo bem e propagamos aos quatro cantos que está tudo certo em nossa vida. Doce ilusão.

Romper com o que lhe transforma nem sempre é fácil. Apegos, medos, inseguranças se mostram ferozmente. Toda a decisão envolve escolhas e todas elas irão interferir o seu dia a dia. Elas trazem consequências que atingem as pessoas que estão ao nosso redor. Inclusive, causa um estranhamento daqueles que nos rodeiam, pois estes estão acostumados com nossa fachada de feliz, quando na verdade é o inverso que acontece. De tanto repetir o mesmo comportamento, e há muito tempo, as pessoas já inclusive esperam que nós tomemos a mesma atitude de sempre. Paciência, pois fomos nós que deixamos as situações tomarem estas proporções, afinal, poderíamos ter nos mostrado de fato diante de cada um dos percalços que a vida foi nos mostrando.

Agora, que fiquem as pessoas que realmente tem que ficar, pois as demais são parasitas de um farsante. Infelizmente, quando não damos limites, não nos expressamos, não exercemos nosso poder pessoal, alguém sai ganhando. Esses podem ir. Quem fica é de fé. Ama você pelo jeitinho que você é e te apóia para que você busque tudo que te faça feliz de verdade.

Dê seu grito de independência. Saiba quem você realmente é para então tomar decisões, e isso em prol de si mesmo. Chega de ser bom com os demais e ruim consigo. Tenha em sua mente que você é a pessoa mais importante do mundo! É por você que hoje está neste planeta escola chamado Terra. Ou você acha que é por causa do seu pai, da sua mãe, do emprego, do casamento, do dinheiro... Estes contribuem para a sua evolução, porém é você quem toma a decisão de enfrentar ou não os aprendizados trazidos junto a eles nas entrelinhas.

Chega de fugir. É hora de encarar nossos fracassos, eles são nossos professores. Aprenda com eles. Assuma a sua responsabilidade em meio a isso tudo e... Siga em frente. Vire a página. Todos já fracassamos em alguma coisa em nossa caminhada nesta vida, e daí? A questão não é cair, é ficar caído! Isso sim é buscar um culpado, um vilão ou se achar a própria vítima no processo, quando sabemos que o que existe é o aprendizado. Resignemo-nos, nós reprovamos sim. Mas, nada que uma boa recuperação não resolva. Infelizmente, somos alunos repetentes em muitos setores da nossa vida. Porém, como estamos em um planeta escola, as didáticas de ensino são as mais variadas e eficazes, afinal, se não aprendemos pelo amor iremos mais em frente aprender pela dor.

Quando nos divorciamos dos nossos sentimentos, o passo seguinte é a percepção do vazio no peito. Aquele sentimento de não pertencer a lugar algum, de não fazer diferença, de não saber o que está fazendo no aqui e agora. Estou falando da negação do nosso verdadeiro eu. Até podemos aguentar um tempo, mas não muito, pois em seguida nossa essência pede a nossa atenção. Ela se pronuncia dando pistas que não nos fazem mais nos compreender, atordoando nossos pensamentos, nossas emoções que desencadeariam uma torrente de atitudes incoerentes.

É chegada a hora de assumir o compromisso de romper com tudo aquilo que não lhe permite ser o que você é. Quando escolhemos, independente de escolha, sempre terá um lado que não ficará feliz. Portanto, não há como agradar a todas as pessoas em todas as situações. Bom senso, isso sim. Seu coração palpita reconhecendo a sua decisão como a melhor para a sua evolução espiritual? Enquanto a resposta for não, é necessário buscar alternativas para que ela se torne positiva.

E isso muitas vezes representa optar entre manter um casamento ou não. Permanecer no emprego ou não. Trocar de cidade ou não. Manter amizades ou não. Falar ou não. Assumir ou fugir. Amar-se ou esconder-se. Dar limites ou ser pisoteado. Ser pego na falta de discernimento, quando fala algo e faz diferente. Enfim, em todas as situações da vida.

Não há resposta pronta para isso. Através de tentativas, entre acertos e erros, amadurecemos e vamos descobrindo o que queremos para nós. Optando em ser feliz e não somente fazer feliz. Equilibrando cada vez mais a nossa essência em meio às exigências do cotidiano como dos familiares, dos amigos, da profissão, da sociedade...

Ser fiel a si mesmo, este é o segredo. Tudo pode ser feito para os outros, desde que isso não afete a sua paz, a sua alegria, a sua harmonia, a sua prosperidade, a sua integridade enquanto ser em constante aprendizado. Questionar se realmente o que você está fazendo está em ressonância com seu eu interior é de fundamental importância. Quando nos pegamos agindo em direção contrária a nossa essência, o sofrimento e a dor são o passo seguinte. Visto que estamos desviando do nosso caminho evolutivo pessoal.

Muitas vezes esquecemos o que viemos fazer aqui. Distraímos-nos com tantas doces armadilhas que na hora das cobranças para retomar nosso caminho, relutamos fortemente. Não é de se estranhar, afinal, quem já não se encantou com o dinheiro, com a beleza, com as promessas de um amor verdadeiro, com a satisfação de ter em vez de ser. Muitos de nós. E olhe que todos já caímos nestas arapucas tão bem preparadas para que não mantenhamos o nosso foco em curar as nossas inferioridades, nos harmonizar com aqueles que possuímos conflitos, o que dirá então, gerar bons exemplos.

Orai e vigiai se torna imprescindível nestes momentos. Saber agradecer para poder receber mais. Permanecer em vigilância nos ajuda a não sermos levados pelas tentações. Estar presente no aqui e agora nos permite avaliar melhor as reações diante das nossas decisões. Estar vivendo o presente é uma excelente maneira de permanecer atento aos apelos das armadilhas, das ilusões, das nossas fugas diante dos acontecimentos e assim, reconhecer quando estamos nos divorciando de nós mesmos, novamente.

Trata-se de um caminho onde o fato de conseguirmos uma vez não nos liberta disso voltar a acontecer. Por isso, preste atenção a sua vida. Mesmo que tenhamos subido um degrau, ainda falta a escada toda. Não relaxe depois de uma pequena vitória. Comemore-a sim, porém, lembre-se de seguir em frente mantendo a lealdade ao seu verdadeiro propósito nesta encarnação: sua evolução.

Para isso, respire fundo diante de um obstáculo, opte por você, ame primeiro a si, para depois externar esse sentimento, pense antes de fazer e principalmente, seja fiel aos seus valores. Tenha constância e persistência frente a colocações e posturas de terceiros perante as suas escolhas. Não se deixe levar por opiniões alheias, siga sua bússola interior: suas emoções, seus sentimentos. Jamais deixe de ser você mesmo, afinal é isso que o faz ser único e especial.

Reflita sobre isso.
Por: Aline Schulz

Palestrante e Terapeuta Holística, Psicoterapeuta Reencarnacionista, Professora do Projeto Evolução Espiritual Luz da Serra

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