- Postado por: Luz da Serra
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O Peregrino Que Há Em Nós
por: Domício Brasiliense
Como está o peregrino que há em mim?
Todos têm algo que é peculiar: o impulso de ir adiante, de caminhar e transformar, diferentemente dos animais que agem por instintos e condicionamentos. Nós, seres humanos, somos curiosos exploradores da vida, sempre buscando coisas novas, tentando descobrir os porquês de quase tudo e, indo além, desejando mais e mais. Os animais não, estes seguem uma linhagem de instintos e comportamentos já condicionados, sem tanta crítica, sem filosofia e sem tentar entender o porquê de tudo. No entanto, cada um, homem e animal, ocupam um papel fundamental no ecossistema que tem por sua natureza funcionar harmoniosamente. A pergunta seria: como temos ocupado nosso espaço? Ou melhor: cada um de nós está em harmonia com sua vida?
Para os animais, a harmonia está em ter boas condições de vida, num ambiente propício a sua espécie onde possam conviver, se desenvolver e reproduzir. Para o homem, a harmonia está diretamente relacionada em como percebe sua vida, no como se auto-avalia hoje em relação a tudo que já pensou, passou e pretende fazer. Esta é a Grande diferença entre animal e homem: o filosofar! O poder de brincar, de manipular, de alterar e frutificar as coisas da vida, usando por vezes até de instinto, que aqui preferimos chamar de intuição, mas sempre com mente e coração sintonizados em possíveis mudanças, em outras formas de viver a vida e ser feliz.
Então, longe de conseguirmos viver condicionados, há em nós um sentimento de busca e descoberta que dá sentido a vida, que a faz crescer, alterar, multiplicar nas suas possibilidades. Mas, tornando tudo isso mais concreto: você tem agido mais por instinto ou como um filósofo em sua vida? Pense... Preferencialmente, pense na sua vida afetiva com seus familiares, colegas, amigos, mas também nas suas expectativas, nas suas fantasias e sonhos. Porém, acima de tudo: como anda sua audição para a intuição.
Esta é a grande riqueza do peregrino: a união do instinto de autopreservação com a intuição que lhe dá o impulso necessário para explorar sua missão na vida. A grande magia é poder estar aqui e alterar sua vida, realizando pequenas e grandes mudanças em busca daquilo que acredita ser o certo para a realização dos seus sonhos. Poderíamos dizer que o peregrino é como um bichinho inquieto que habita em nós; ele está sempre lá, catando coisas, buscando sentidos, sonhando, etc. Então, como está nosso bichinho, como temos cuidado dele?
É, há o que pensar... Se imaginarmos que cada um de nós tem um tipo de bichinho e uma forma de percebê-lo, cuidá-lo e amá-lo, teria ainda mais o que pensar, no entanto o que todos têm em comum é a inquietude, o sentido de buscar sentido na vida. Parece complicado? Não mesmo, mas, falando de outra forma: o peregrino quer caminhar. Ele quer sair para passear nas ruas, cheirar a vida e as pessoas, descobrir cantos e recantos, mas sempre com você. Ele é seu grande companheiro e tem por você amor incondicional, isto é, ele o amará de qualquer forma.
Voltando a pergunta: como temos cuidado do nosso bichinho? Como anda o peregrino que há em nós? De forma mais objetiva: como está hoje nossa vida, o que temos feito e para que? Temos escutado o peregrino?
Sem dúvida alguma, toda essa reflexão é muito pertinente, mas, por outro lado, vamos convir que todos fazemos o que podemos. Sempre tentamos Dar o nosso melhor e ser o melhor amigo, filho, pai, mãe, irmão, colega, enfim, todos os papéis que ocupamos. Em nenhum momento decidimos, conscientemente, ser os piores em alguma coisa ou as piores pessoas em uma situação. Nunca decidimos ser pessoas ruins! Melhor ainda, se pudéssemos e sentíssemos que conseguiríamos... Teríamos feito muitas coisas de formas diferentes... Então, sentindo dessa forma, pensaríamos que é muito fácil falar no peregrino que há em nós, mas, na realidade da vida não é bem assim. E, realmente, não há como discordar. É muito mais fácil eu aqui sentado, em devaneios sobre o peregrino, falando de uma vida como se não fosse a minha. Convenhamos, seria até de dar um pouco de revolta, mas, no entanto, quem vos fala e se atreve a fazer esta reflexão é também um caminhante nesta vida que tanto almejamos por dar sentido. Portanto, somos todos buscadores num mesmo barco, por conseguinte, se estamos juntos num mesmo barco, não deveríamos pensar e buscar a vida de forma coletiva?
Este é o atrevimento de quem vos escreve: unir nossos bichinhos e ver no que dá! É pararmos de nos sentirmos sozinhos, estancar essa idéia de que é cada um por is e entender que a vida é coletividade, que nos encontramos no nosso irmão, numa forma muito diferente de nos gostarmos, nos amarmos... Daí pensa o leitor: que viagem! E eu digo: estamos realmente felizes? A vida está bem? O mundo está bem? O ecossistema está equilibrado? E, por aí vai... Então, o que teríamos a perder tentando outra forma de viver? Por que não conseguimos romper essa prisão em que colocamos o peregrino? Por que ele precisa ficar lá, jogado na tristeza e solidão? Se levássemos todos os peregrinos para passear a solidão não teria vez!
Infelizmente, acreditamos no que nos disseram e hoje somos seres egoístas, competitivos, equivocados em seus valores e, pior, cheios de medos. Estamos enganados no que tange ser a vida e como vive-la através das nossas qualidades, nossos talentos, exercendo nosso direito de cumprir nossa missão nesta vida. Abrimos, sem querer, mão de nós mesmos deixando o peregrino a viver de pão e água.
Por outro lado, se estamos no mesmo barco, ainda há esperança e ela está num pensar diferente. Alguém nesse barco vai ter que parar de olhar para si e sua vida e contemplar seus irmãos e o oceano. Desta forma, estaria ampliando sua visão de vida e auxiliando seus irmãos nesse rico e mágico movimento.
Nesse barco, onde nos sentamos e como estamos nos sentindo? A saída está no erguer a cabeça, saindo desse estado ensimesmado, levantando-se e chamando por seus irmãos, criando outro movimento; daí o barco tomaria outro rumo e aí... Quem sabe... Não estaríamos vivendo a vida, eu, você e nossos peregrinos.
Por: Domício Martins Brasiliense
Psicoterapia Individual. Casal e Família
Psicoterapia Transpessoal e de Regressão - POA/RS
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