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Características personais e carências personalísticas

OUT2009 06
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  • Postado por: Luz da Serra
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Características personais e carências personalísticas

por: Cristina Helena Sarraf

A individualidade estabelecida desde nossa origem do Elemento Espiritual criado por Deus, segundo as informações dos Espíritos da Codificação, é sinônimo de que cada Espírito tem, por desenvolvimento e maturação, características específicas e exclusivas.

Se na origem éramos iguais, simples e ignorantes, mas individualizados, á partir daí fomos nos diferenciando, cada vez mais. Mas essa diferenciação não significa distanciamentos, na medida em que temos sempre pontos de semelhança, pelo fato de a justeza das leis divinas nos oportunizar as mesmas experiências, embora aconteçam em momentos diversos, conforme as condições e possibilidades que cada um vai tendo.

Na fase humana, chamamos de personalidade as características que nos especificam em cada encarnação. Na realidade a personalidade é mutável, na medida em que se mudam hábitos, formas de nos conduzir, conceitos de vida e costumes; porque estes, se bem que sustentados por nossa individualidade específica e pelo temperamento espiritual que fomos desenvolvendo, refletem a exterioridade das reações que temos, em função do que a vida nos apresenta. Na medida em que as experiências e escolhas vão mostrando suas consequências naturais, as alterações íntimas vão transformando a personalidade. Num exemplo bem simples: se mudarmos para a China, país bem distinto do Brasil, aos poucos nossos costumes e atitudes mudarão e com isso nossa personalidade será outra. E se tivéssemos nascido lá, desde a infância seríamos diferentes do que nos tornamos aqui.

A alma e seu temperamento, estejamos onde for, são os mesmos. A exteriorização chamada de personalidade depende de onde estamos, como vivemos, com quem convivemos e como nos conduzimos.

Pode parecer que nossas características são fixas e seriam as mesmas, haja o que houver. Mas, basta pensarmos como seríamos se só convivêssemos com amigos e pessoas que nos ajudam e beneficiam, para verificarmos que a convivência com outro tipo de pessoas, que fazem parte da vida e da sociedade humana, acessam reações, emoções e condutas, que diferem muito daquela que nos caracterizaria no exclusivo convívio com o amor, o respeito e a consideração.

Em ambos os casos, somos a mesma pessoa, mas em cada um estão acessados e em funcionamento, alguns dos nossos aspectos, em maior ou menos intensidade; os quais, embora sejam nossos, só são usados e até podem predominar, temporariamente, quando "chamados e acordados", pelo que vem de fora. Por isso, a vida em sociedade e família é tão significativa para o nosso progresso. Só ela nos desperta e mostra quem somos, permitindo trabalharmos melhor essas nuances, nem sempre boas. Assim se faz o processo evolutivo: do menos para o mais.

O exterior a nós, ou seja, pessoas, Espíritos, situações, acontecimentos e circunstâncias, embora nos envolvam, nos digam respeito, nos interessem, nos toquem a alma ou o coração, e até nos afetem, só podem ter o valor e a força que lhes dermos, na proporção em que despertam reações que disparam opções que apontam decisões que assumimos.

O interior de nós mesmos é onde as coisas se fazem. O Espiritismo nos diz que não há arrastamentos irresistíveis, o que significa termos sempre condições de opção, porque dotados de livre arbítrio. Portanto, da forma como sentimos, pensamos e nos relacionamos conosco mesmos; com o zelo ou descaso que damos ao que percebemos e para àquilo em que queremos nos disciplinar; com o cultivo ou descuido às aspirações que temos, é com isso que vamos nos caracterizando; e determinando assim, as consequências naturais que acontecem fora de nós. O exterior que tem a ver conosco, é um reflexo, uma exteriorização do nosso interior.

A mediunidade, sendo um patrimônio da humanidade, se especifica, em cada um, segundo a sua personalidade. Por isso, as carências personalísticas, como nos ensinou o amigo espiritual Gilberto, colorem nossa mediunidade, e podem encaminhá-la para a satisfação das mesmas. O que, em última instância, faz com que médiuns possam desvirtuar seus objetivos e condutas mediúnicos, em função de vantagens, prestígio, vaidade, manipulação de pessoas e situações, orgulho, predomínio,

consideração, etc, que despertam e angariam, em nome desse potencial, ainda visto, por muita gente, como especial e superior.

No plano do ideal, a Mediunidade serviria apenas para o que ela é: a possibilidade de perceber e entender os Espíritos. Mas em nossas condições atuais, as carências personalísticas podem ser supridas, de forma enviesada, através da mediunidade, que passaria a servir de trampolim para a pessoa atendê-las.

Se bem que cada um é o proprietário de sua faculdade mediúnica, porque foi quem a desenvolveu, nas muitas encarnações, e portanto tem o direito de agir como considera melhor, uma análise como esta visa diferenciar as coisas.

É importante perceber que é possível usar a mediunidade como instrumento das próprias carências personalísticas, mas seria melhor não lhe dar essa destinação, na medida em que ela tem um objetivo específico, e conforme nós agimos, assim serão as consequências naturais dos nossos atos.

O médium que busque, obterá, na maior parte das vezes, prestígio, reconhecimento público, atenções, supervalorização, fãs que a seguem e incensam, lugar na mídia, ser um fazedor de opiniões, etc. Mas, se isso fosse um reflexo natural de suas capacitações, estariam as coisas no lugar certo. Porem, como fruto de recursos de mídia, de parcerias ou de açular o inconsciente coletivo das pessoas, lembrando-as do passado histórico, quando os médiuns eram considerados seres especiais, superiores e palavra final em tudo, e colocando-se nessa condição, então há algo fora do lugar.

Este estudo não tem nenhuma intenção de apontar o dedo para quem quer que seja. Objetiva esclarecer e abrir um entendimento maior sobre como somos, quem somos e como agimos com nossos potenciais.

Os valores devem ser valorizados. Os equívocos podem ser reconhecidos. Tudo no intuito de que cada espírita encontre seu caminho para a paz interna e o possível equilíbrio espiritual.

Por: Cristina Helena Sarraf
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