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Parto humanizado

JUL2009 25
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  • Postado por: Luz da Serra
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Parto humanizado

A ansiedade de conhecer um novo membro da família e toda a simbologia que esse momento tem torna o nascimento de uma nova vida um acontecimento sublime. Mas o que poucas pessoas imaginam é que o parto pode ser um trauma para o bebê.

A tradição oriental prega o nascer sem violência, em que o bebê é homenageado e recebe as boas-vindas do mundo. ?Quem trouxe o método para o ocidente foi o médico francês Frédéric Leboyer. Ele ficou impressionado com a técnica hindu de trazer uma criança ao mundo, respeitando-a como um ser humano, uma reencarnação?, disse o obstetra Eliezer Berenstein, da Clínica Berenstein de Atendimento à Mulher, em São Paulo. Frédéric Leboyer visitou a Índia na década de 60 para conhecer como eram feitos os partos dentro das comunidades evoluídas na tradição oriental. Em 1974, escreveu um livro sobre o nascer sem violência e espalhou pelo mundo ocidental a nova maneira de nascer.

Parto ocidental x parto oriental
O que acontece no ocidente é que o bebê chega ao mundo sem o mínimo de respeito ao que ele sente, pois, quando está dentro da placenta, o bebê fica no silêncio, no escuro, no conforto da mãe com uma temperatura de 36 graus, sem precisar fazer esforço para respirar e comer. No momento do nascimento, ele encara luzes fortes da sala de cirurgia, o frio do ar-condicionado, pessoas falando alto, o tapa no bumbum dado pelo médico para ele chorar, além dos exames e da sonda que se passa na garganta. Dessa maneira, a criança entra no mundo de uma forma violenta. ?Quando o médico bate na criança e corta o cordão, ela aprende que precisa respirar para não morrer?, comentou o médico.

A idéia do parto humanizado é que o bebê não sofra um choque tão grande quando nascer. ?O bebê fica estressado quando nasce no barulho, no frio e com a luz nos olhos. Nós procuramos amenizar essas diferenças e fazê-lo se sentir bem-vindo?, disse doutor Eliezer. A mãe é acompanhada até o último instante antes do nascimento do bebê. A cirurgiã-dentista Kátia Galvane, 40 anos, não tinha contrações suficientes para empurrar o bebê, mas não queria fazer cesárea. ?Eu fiz sessões de acupuntura antes de ir para a maternidade, depois fiz de novo no hospital, as contrações ficaram fortes e meu parto foi super tranqüilo e rápido?, comentou. O parto humanizado é realizado em uma sala com luz mais amena, temperatura próxima a da placenta, com o ambiente em silêncio. O bebê não leva um tapinha para chorar e o cordão umbilical é cortado apenas quando pára de bater.

Outro diferencial desse procedimento é o carinho com que o bebê é recebido. Primeiro no colo do obstetra, depois se aconchegando no peito da mãe. ?Meus bebês foram direto para o meu colo e é incrível. Eles acalmaram, pararam de chorar, é uma sensação fantástica?, disse a farmacêutica bioquímica Ana Elisa Pellegrini Kumagae, 34 anos. O bebê vai sentir os sons e o cheiro da mãe, além de ter a oportunidade de mamar, que traz emoção ao recém-nascido. Para respirar, o bebê é acariciado pelos adultos. ?Dessa maneira, o bebê sente que respira para viver e não acha mais que o mundo é violento?, completou o médico. No final, a mãe diz para o bebê ?Saúdo você meu filho em nome dos meus antepassados e dos antepassados do seu pai?, tirando a sensação de que o parto é apenas da mãe. ?Foi meu marido que cortou o cordão umbilical e o bebê veio direto para o meu peito e mamou instantaneamente. Depois tomou um banho morno que foi dado pelo pai. O bebê estava super tranqüilo?, declarou Kátia, que escolheu o parto humanizado para ter seu segundo filho, Caio, de 2 meses.

Por que escolher o parto humanizado
Os pais que procuram esse tipo de técnica são aqueles que pretendem fazer diferente na vida dos filhos. ?Não adianta um pai ter um parto humanizado e criar o filho de forma desumana?, comentou o especialista. Essas pessoas tendem a criar os filhos com uma educação também mais humanizada e afetuosa, gerando adultos mais amorosos e com menos problemas emocionais. Kátia escolheu essa maneira de trazer o filho ao mundo depois de perceber que o número de cesáreas aumenta cada vez mais. ?Eu e meu marido trabalhamos na área de saúde e vemos quantas cesáreas estão sendo feitas, às vezes sem que o bebê esteja pronto. Eu já conhecia esse método e quis fazê-lo para dar o máximo de bem-estar e conforto ao meu filho?, disse. A única questão, que pode se tornar inconveniente para algumas mães é a espera. ?Tem que ter paciência, mas, se fica insuportável para a mãe, o parto é feito antes. Mas a espera vale a pena?, declarou Kátia.

O doutor Eliezer explica ainda que a criança que nasce por esse método e tende a desenvolver menos problemas para criar vínculos emocionais, pois sentiu todo o amor nesse momento de transição da vida. ?As crianças que nascem dessa maneira costumam sugar o peito mais rápido que os outros recém-nascidos, ver mais rápido e criam vínculos afetivos mais cedo?, completou. Kátia, que teve outra filha por parto normal, mas ainda sem a técnica, percebeu a diferença entre os dois. ?O Caio é super tranqüilo, não assusta com nada, dorme a noite inteira. Minha filha tinha muitas cólicas, chorava bastante e eu tive que ensiná-la a sugar, pois ela passou fome alguns dias por não conseguir mamar?, comentou. As crianças se sentem mais acolhidas, seguras, respeitadas. Esses bebês também estão mais propensos a não assustar quando algum outro adulto se aproxima. ?Meu parto foi super tranqüilo e meus bebês eram muito calmos?, disse Ana Elisa. Kátia recomenda o parto humanizado para todas as mães. ?É ótimo para o bebê e para a mãe. Se tivesse outro filho, usaria essa técnica de novo, sem dúvida?, concluiu.

Fonte: eyoga.uol.com.b

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