AQUELA MENINA DE 12 ANOS
Estava buscando textos antigos que escrevi na tentativa de trazer alguma contribuição para o Portal. Nas minhas leituras, encontrei um que fiz sobre a minha vivência com o meu corpo e minha autoaceitação. Acho que é importante compartilhar mais um pouco desse assunto com vocês. Espero que gostem!
Quando olho para aquela menina de 12 anos de idade, a vejo sempre de biquini, escondida atrás dos outros para que não vissem seu corpo. Alguém lhe disse que ela era gorda. Alguém lhe disse que sua barriga estava grande. Quando me vejo naquela época, ainda posso sentir toda a insegurança e vergonha que o meu peso causava. Ainda consigo perceber os olhares julgadores e os comentários depreciativos.
- Você tá gordinha, hein?
- Tá barrigudinha, não é mesmo?
Naquele momento, eu me senti quebrada como uma pessoa com um defeito que precisasse ser consertado. De alguma forma, não me encaixava naquilo que os outros esperavam de mim e, por isso, senti que era uma decepção. Foram sentimentos que nortearam meu crescimento: vergonha, julgamento, auto crítica, inadequação, inferioridade, depreciação. De alguém extrovertida e confiante, me tornei uma adolescente tímida e insegura.
Sei que cresci e consegui superar, mas ainda sinto muita mágoa no meu coração. Sinto pelas pessoas que me fizeram crescer achando que era gorda, feia, inadequada. Sinto raiva daqueles que me depreciavam mesmo quando eu vestia minha melhor roupa e me sentia bonita. Queria não ter esses sentimentos, mas cada frase dita foi uma granada na minha auto estima. Eu sinto que os adultos que deveriam orientar aquela menina de 12 anos não o fizeram.
Tem dias que estou penteando os cabelos de minhas filhas e começo a pensar:
- Quando é que você vai achar que essa franja linda precisa ser consertada com uma chapinha? Quando é que você vai reclamar que esses cachos dourados são feios? Quando é que as pessoas vão lhe dizer que sua cintura não tem o tamanho certo ou suas coxas são grossas demais? Quando é que as pessoas vão lhe quebrar e lhe fazer sentir que muitas coisas precisam ser mudadas? Se eu pudesse, lhe congelava agora mesmo para que ninguém lhe machucasse ou dizesse o que você deve ser.
Em algum momento, eu fui quebrada ou, talvez, tenha me deixado quebrar. Me recuso a aceitar essa segunda opção já que era muito nova para agir com maturidade e não acreditar nas pessoas que me amavam. Hoje, quero olhar pr´aquela menina de 12 anos e dizer que ela é linda. Quero lhe dizer que seu peso não muda quem ela é ou a sua essência. Olho para aquela menina e tenho vontade de lhe dizer que a amo acima de tudo e que sempre ela será especial e única. Gorda ou magra, de cabelos lisos ou crespos, com boas notas ou com o boletim vermelho... ela sempre será amada.
Karina nasceu perfeita, mas, por um longo tempo, acreditou que era um projeto a ser executado com pontos a serem melhorados para que, a partir daí, sua vida pudesse finalmente acontecer. É difícil as pessoas entenderem que somos quem queremos ser e não quem elas esperam ver.
Relendo esse texto, depois de tudo que me aconteceu nos últimos meses, confirmo a minha teoria que, em muitos momentos da vida, a cura das nossas dores está no plano espiritual. Sempre procurei psicólogos, li livros para melhorar minha auto estima, busquei me equilibrar, mas faltava algo que me curasse de dentro para fora. Por mais que eu mudasse meus pensamentos e atitudes, algumas feridas e mágoas permaneciam abertas e sem tratamento. Eram sentimentos que não conseguia entender. Somente quando fortaleci meu lado espiritual, buscando conhecimentos e leituras aprofundadas sobre reencarnação e energias, trazendo a reflexão para a minha vida, foi que consegui me curar.
É isso mesmo. Hoje, não tenho mais mágoa dessas pessoas. Percebo que elas foram necessárias para que eu crescesse, evoluísse como ser humano e melhorasse inferioridades que eu mesma cultivei. Todas as situações pelas quais passamos são essenciais e necessárias para o nosso crescimento. Essa adolescência foi mágica porque me transformou na pessoa que sou hoje. Todas as minhas experiências me trouxeram até aqui e agradeço a cada um que me fez me movimentar em busca do meu bem estar.
Testemunho para vocês que a cura espiritual é o primeiro passo para encontrarmos a harmonia nos planos mental, emocional e físco. Quando sentimos as consequência no corpo ou nas emoções é porque a nossa mente e o nosso espírito já estão enfraquecidos há muito tempo.
Além disso, hoje percebo a influência positiva ou negativa que posso ter nas pessoas. À partir das minhas vivências, passei a escolher ser alguém que constrói e não que critica. O julgamento é injusto porque ele sempre vê somente uma parte do processo. Percebo melhor a minha responsabilidade como mãe e como peça chave no amadurecimento e crescimento dos meus filhos. Devo ser a incentivadora e não a voz que critica e exige. Entender as limitações deles e ajudá-los a melhorá-las através do AMOR. Aprendi também a ter cuidado com as palavras. Elas são poderosas e marcam muito mais quem as ouve do que quem as fala.
Procure ajuda, busque a espiritualidade e nela compreenda que muitos bloqueios que nós temos só podem ser tratados em outro plano. A energia Reiki é uma das ferramentas para esse auto conhecimento. Busque a sua libertação e seja feliz. Não espere por nada nem ninguém. Esse movimento só depende de você!
Namastê.
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